Democratização, não violência e mídias sociais
Wael Ghonim (via satélite) · Jamila Raqib
Mediadora: Alexandra Lucas Coelho
Wael Ghonim foi um dos principais líderes das manifestações populares que derrubaram a ditadura de Hosni Mubarak, no Egito. Ghonim formou-se em Engenharia de Computação na Universidade do Cairo e depois se graduou no MBA de Marketing e Finanças da Universidade Americana da capital egípcia. Em 2008, foi contratado pelo Google e logo recebeu uma promoção que o tornou Executivo de Marketing para o Meio Oeste e Norte da África.
Para assumir o cargo, Ghonim mudou-se com a família para Dubai. Após a morte do jovem Khaled Said pela polícia de Alexandria, em 2010, Ghonim criou a página “We Are All Khaled Said” (“Somos todos Khaled Said”) no Facebook, que ganhou a adesão de milhares de pessoas. Em janeiro desse ano, inspirado pela revolução na Tunísia, o executivo da Google, sob o pseudônimo de El Shaheed ou The Martyr (O Mártir), criou um evento que convidava os 350.000 fãs da página a protestar na Praça Tahrir. Em poucos dias, já eram mais de 50.000 os confirmados. Ghonim então seguiu rumo ao Egito para participar dos protestos de 25 de janeiro. Dias depois, o jovem foi preso e passou 12 dias desaparecido. Ao sair do cárcere, deu um depoimento emocionado para a TV egípcia e foi recebido pelo público como um herói da revolução que tomava conta do país.
No fim, mais de 12 milhões foram às ruas e tiraram o ditador Mubarak do poder. Devido ao seu cyberativismo de não violência e desobediência civil, Ghonim foi eleito pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do planeta.
Wael irá participar desta conferência via satélite.
Jamila Raqib é diretora executiva do AEI (Albert Einstein Institution), órgão fundado por Gene Sharp, principal nome quando o assunto é estratégias de não violência do mundo atualmente. Estudou administração e relações internacionais no Simmons College, em Boston. Começou a trabalhar no AEI há nove anos para coordenar as traduções de textos do instituto em diversas línguas. Foi responsável por supervisionar o minucioso trabalho de tradução do principal livro de Sharp, “Da Ditadura à Democracia”, para mais de 25 idiomas.
Nascida no Afeganistão, imigrou com a família para os Estados Unidos por causa da violência durante a ocupação soviética. Cresceu admirando o movimento de guerrilha do Mujahidin, mas engajou-se na disseminação de ideiais de não violência e desobediência civil assim que passou a estudar o assunto. Raqib acredita que esta postura é uma arma poderosa para enfrentar governos ditatoriais e opressão estrangeira, “tanto uma alternativa à passividade quanto à violência”.
A AEI não tem fins lucrativos e funciona na casa de Sharp, no subúrbio de Boston. Jamila Raqib é sua assistente na redação de textos, cuida da correspondência e do contato com governos e organizações de todo o mundo, alem de atuar como porta-voz da instituição. Ela ainda é comentarista de ações de não violência ao redor do mundo para veículos como BBC, The New York Times, National Public Radio e Voice of America, entre outros. Recentemente, foi uma das vozes mais ouvidas durante a revolução egípcia.