À noitinha com o Paraphernalia
Se domingo é tradicionalmente dia de cineminha, hoje o clima foi de trilha sonora. A plateia encheu o espaço em frente ao palco Compacto Petrobras para acompanhar os dois sets que a turma do Paraphernália apresentou neste domingo. Ao contrário dos outros dias, quando duas bandas se apresentavam por lá durante os intervalos dos shows no palco principal, neste domingo a responsabilidade ficou toda a cargo do septeto.
Depois de fazer carreira em pequenas casas do Rio, o Paraphernália já sobe aos palcos da cidade num clima de que conhece todo mundo que os assiste. A intimidade deles com a plateia é recíproca. Em momentos como “Salomão”, o trombonista Marlon Sette não se acanhou para comandar o ritmo das palmas e dos coros de quem assistia a tudo dançando com sorriso no rosto. As dinâmicas de músicas como “Tema do Paraphernália” e “A fúria do dragão” já estão tão consolidadas na cabeça de uma certa parte do público que é possível ver a galera dublando no tempo de cada instrumento. Para quem faz música instrumental, isso é provavelmente o mais próximo possível que sente um cantor que ouve a plateia cantar sua canção.
Para o segundo set, veio um convidado especial. BNegão se juntou para atribuir palavras à pancada sonora dos caras. A virulência de “Funk até o caroço” já deu o recado do que o vocalista queria imprimir com a big band que acabara de ganhar. Passando pelo hit do Seletores de Frequência “O processo é lento”, até os clássicos benjorianos com “Umabarauma” e “Hermes Trismegisto”, até “Soul Makossa”, de Mano Dibango. E quando os créditos subiram, a plateia se foi feliz.
