Uma Dança, Sabe?

28 de agosto de 2011

Back2Black 2011

Pressão lá em cima com a banda de sete pessoas quebrando tudo, vêm as duas backings, e entra Aloe Blacc. Começa a introdução instrumental do primeiro hit dele, I Need A Dollar. E quando ele se aproxima do microfone… “Hey brother, watch your little lady, she’s a little faster than you think…”

Pra quem não entendeu: criou-se uma expectativa, e de repente foi-se para o outro lado. Tipo uma dança, sabe? Um quadril que ameaça e engana, um beijo que vira sorriso e olhar pro lado, a tal da sedução. Uma música que se promete, e de repente outra. Aloe Blacc no palco é isso: truques de sedução que bagunçam o que se espera, mas que no final dão certo. Tanto que a Leopoldina pediu mais, e mais.

Do começo com Hey Brother, Blacc foi para uma bênção pessoal a James Brown, Stevie Wonder, Marvin Gaye e Al Green. Não só as grandes referências dele, mas os caras que levaram a malícia africana pra cama, pra política, pro orgulho de ser o que são (desses, só Gaye já morreu) – negros. Pois Blacc, assim como Back2Black, tem negro no nome. E cada nota dele reforça isso.

A tal bênção antecedeu You Make Me Smile, com todo mundo – todo mundo mesmo – de braços para o alto cantando. A mesma coisa com Green Lights. Mas tinha mais: citando um programa de tv americano, Soultrain, Blacc abriu espaço na plateia e chamou só os que queriam dançar mesmo. Todo mundo queria. Virou baile black.

O show ia chegando ao fim, e aí sim era hora dela. Não dava mais pra fugir. Ele tinha começado com a promessa (sugestão?) de I Need A Dollar e teria que cumprir. É assim que funciona. O drible é mais bonito quando é gol. A cantada só é perfeita quando a moça cai. O tecladinho batendo no mesmo acorde chamou e veio I Need A Dollar como todos esperavam. E ainda uma extensão em reggae, “um dos mais bonitos tipos de soul music”, segundo ele.

Blacc ainda mandou No Woman No Cry e Loving You Is Killing Me, antes de sair do palco ovacionado. E tinha mais: na volta, soltou a voz fora do microfone, de costas, e virou segurando a nota até estourar no microfone o clássico de The Mamas and The Papas: California Dreaming. Ninguém, ninguém mesmo, esperava tanto.

Back2Black 2011

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