Pantera
Toda de preto, mangas esvoaçantes e microfone de franjinha cintilante. Vestida assim para matar, Chaka Khan lotou a pista com gente de todas as idades que sabia de cor boa parte do repertório que ela ia apresentando aos pouquinhos, saciando uma ansiedade que virava muita diversão.
Era mais do que nostalgia que pairava no ar antes do show começar. Havia uma excitação fácil de perceber, e à medida que Chaka ia levando a Leopoldina à festa pelo braço, essa excitação virava passos de dança (Ain’t Nobody), gritinhos (Funny Valentine), isqueiros acesos (Through The Fire) e muita comoção. Fora todos aqueles agudos que saíam de uma boca escancarada.
Houve também o momento gospel, trazendo uma espiritualidade para o festival que ainda não tinha aparecido. A americana falou sobre o passado de exageros na farra, quando compôs músicas não se lembra como e quando passava duas semanas sem atender o telefone das próprias filhas ainda crianças, esquecidas com a vó. “Há sete anos estou limpa”.
E como não podia faltar, a apoteose: I’m Every Woman cantada em coro por todo mundo presente. Como rainha da festa, ex-pantera negra, convertida à Deus e mãe, Chaka mostrou no palco que é mesmo várias e todas. Incrível a força dessa mulher.
