Desarrumando O Turbante
Imagine passar um show olhando só para um turbante. No começo, ele parece uma rosa branca aberta, todo armado, tão branco que brilha, ocupando toda a visão. Aos poucos, ele vai se despetalando, até que precisa ser reamarrado. Bem forte, já rente à cabeça. Aí, de novo. E mais uma vez. Até que finalmente, o turbante voa abaixo enquanto a cabeça (antes) por dentro dele balança e dança extasiada.
Ou o turbante é frouxo, ou essa tal de cabeça não parou um minuto – e uma cabeça que não para sempre merece aplausos. Oumou Sangaré abriu o palco principal de sábado com um vozeirão respondido por um coro de sete vozes e decolou levando a Leopoldina junto.
Foram seis músicas, fora o bis. Parece pouco, mas longe disso. As músicas são longas, cheias de repetição, com clima de comunidade. Colaborativo, para usar um termo no clima do festival. Todo mundo participa, canta, entra na dança e não se cansa. Frases que mesmo sem entender, fazem ficar mais feliz.
Para encerrar, uma pausa para explicar devagar em inglês e depois em francês que música é essa Wele Wele. Não só o hit de Oumou, mas uma denúncia ao casamento à força, ainda comum no Mali, de onde ela vem. O volume da bateria ficou mais alto, todo mundo concordou em cantar junto o quase rock malinês, e não teve jeito. Com a cabeça sem parar (a nossa e a dela), voou turbante para todos os lados.

