Sacudindo o Deserto

27 de agosto de 2011

Tinariwen

Se tinha alguém na Leopoldina com frio por causa da chuvinha que caía e parava, caía e parava… a banda do Saara acabou com isso. As vibrações do deserto bateram em cheio no peito dos cariocas e a estação ferroviária sob os balões dos Gêmeos virou a pista fervente do bailão.

Os seis músicos, que às vezes eram quatro ou cinco no palco, já chamavam a atenção com os tagelmusts, os turbantes de um tecido fino em tons de azul. Mas isso era o esperado, né? Era uma das grandes curiosidades do público. Agora, quando aquelas sílabas compriiidas e notas looongas começaram a ecoar, aí sim o bicho pegou. Ora era o coração que apertava, tal a beleza dos harmônicos, ora era o espaço na pista.

Tinariwen

Pois é, cada vez que o percussionista Mohammed Ag Tahada quebrava tudo na percussão, a Leopoldina ficava pequena pra tanta gente dançando do jeito que desse, improvisando uma dança do ventre ou cheio de ginga nacional mesmo. Mas se era o vocalista principal, Ibrahim Ag Alhabib, ao violão – todos participam da cantoria em coro ou em respostas de apoio – aí a atenção da plateia era intensa. Os tuaregs gostavam do que viam, e agradeciam como poliglotas: obrigado, merci beaucoup, thank you…

Ou seja, cariocas: agora quando ouvirem que um lugar tá deserto, lembrem-se do que ecoou na noite do dia 26 para 27 de agosto de 2011. O Saara sacudindo a Leopoldina. Deserto sempre é quente, mas pode ser bombante também.

 

Comentários