Amor e Fúria (e Som)
O final da primeira noite de Back2Black tinha que ser assim mesmo. Depois de baile do deserto, fado transatlântico, democracia e liberdade (“a violência acontece onde não há sonho”, chegou a dizer Wael Ghonim), o palco principal do festival se rendeu ao amor escancarado e suado. Uma festa pra lembrar que sexta-feira à noite é sagrado. O ritmo aumentou e só parou depois de todo mundo saciado. Senhoras e senhores, o nome dela é Macy Gray.
Mas recomeçando… Ao longo da noite, alguns músicos da banda de Macy foram vistos circulando pela Estação Leopoldina. E daí? Nunca vai dar pra saber se foram eles que sopraram ou se tava tão óbvio que deu pra ver de cima do palco… O fato é que antes mesmo de terminar a segunda música (Caligula, sugestivo…), a Macy já tinha chamado os cariocas de sexy people e dito que eram eles os superstars. Funcionou na hora e demais, porque o último show da noite pulou todas as preliminares pra ir direto ao assunto. Amor em altos decibéis, bons fluidos circulando furiosamente pra cima e pra baixo e uma cara de satisfação que ninguém conseguia esconder.
Bom, não parou aí. Macy pediu pra banda tocar mais baixinho. Mais baixinho ainda. Queria os gritos da Leopolidina. Ouviu. Ouviu mais alto. Mandou Kiss It e emendou com uma cantada que era qualquer coisa tipo o baixista olhando no google que no Rio existem os homens mais bonitões e charmosos do mundo (iuuuuurruuu!!) e o google dizendo que as mulheres do Rio também são as mais gatas e charmosas e tal (mais iuuurrruuus ainda). Corações bateram forte. Veio Glad You’re Here.
E o show respirou. Todo mundo precisava dar uma acalmada mesmo. Repor energias, conversar um pouco, prometer e ouvir promessas, receber carinhos, trocar o amor pelo amorzinho, a fúria pelo romance. Namorinho. Vieram as baladas. E quando menos se esperava…
A fúria de novo. E Macy brotou com um Radiohead: Creep para uma Leopoldina atônita. Foi um tal de os mais diversos e bonitos casais se formando em plena estação ferroviária, livres, democráticos, azuizinhos como os turbantes do Tinariwen. No som, uma seleção amorosa de covers e músicas próprias: Sexual Revolution, Do Ya Think I’m Sexy, Groove Is In The Heart e Oblivion. Sem parar. Todo mundo respirou fundo, porque aí foi a vez de I Try, a música mais famosa de Macy, a que não podia faltar. Muita gente tava ali só por causa dela.
Quem teve fôlego chegou ao bis. E rolou um reforço para os que não tinham entendido ainda. Nothing Else Matters, Metallica. Pra quem não ligou o nome à pessoa, ou em bom português: nada mais importa. Sexta-feira já virada sábado. Amor tinha virado fúria, tinha virado som.
PS.: Ainda rolaram no bis Beauty In The World e The Letter.

