Cruzando o Atlântico

26 de agosto de 2011

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Com a chuva que inverteu a ordem das apresentações, o Back2Black musical começou atravessando o Oceano Atlântico, naquela velha conhecida relação Brasil-Portugal. Só que o recado era muito mais universal do que se poderia imaginar.

Totalmente alinhada ao debate do dia, sobre revoluções pacíficas populares, o show foi aberto com Esta Noite Saio À Rua. E tinha mais: Fado das Águas, doído como poderia ser um blues ou um lamento chorado em um suposto cavaquinho carioca. O espírito é esse mesmo, somos todos iguais em sentimento quando nos encontramos pela música e pela vontade de mudar.

Claro que a Leopoldina inteira entendeu o recado, e logo estava batendo palmas para a letra de Fado da Procura, justamente sobre um encontro prometido. Para e pensa: um “encontro prometido”, “somos todos iguais” e “saio à rua”. E o show só tinha começado. Que dirá o festival. As ideias estão no ar, basta ouvir e se comunicar.

Não que a mensagem precisasse de um respaldo desse, mas foi nessa hora que Gilberto Gil foi apresentado para uma participação certeira. Três músicas bem tropicais, cheias de signos para serem pescados lentamente, como se deve descobrir o estrangeiro, como se deve reconhecer no diferente o quanto é importante dividir um mesmo palco, diferentes sotaques, ritmos de uma mesma grande poesia europeia, americana ou africana. “A novidade veio dar à praia”, pensa só.

Os Rolling Stones foram lembrados com No Expectations, uma versão de Ana Moura para o Stones Project, de regravações do repertório dos ingleses por artistas de outros universos sonoros. Amanda, uma fã de Belém (Pará), subiu ao palco para um dueto emocionado e improvisado com a portuguesa, no clássico do fado Loucura. E a Leopoldina inteira se rendeu em coro a Leva-Me Aos Fados, encerrando o show naquela comunhão que a música faz parecer tão fácil. Talvez seja mesmo.

No bis, as lições de Sítio do Picapau Amarelo (ao lado de Gil, mais uma vez) encerraram de vez a apresentação de Ana Moura. Somos todos crianças nesse mundo de fados, baianos e tantos outros sons.

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